O louco nem sempre é (somente) o paciente, por Flávio Neponucena

O paciente fleumático se deitou no divã, e, absorto em recônditos pensamentos, não pronunciou uma palavra sequer. O psicanalista, um homem que, segundo Salvador Dalí, tinha um “belo crânio de caracol”, estava impaciente. Por mais que Freud incitasse seu circunspecto cliente a falar, ele continuava calado. Passaram-se trinta minutos, uma hora… E nada. O silêncio era deveras perturbador. O pináculo da situação foi quando Freud, irritado, exclamou:

— Quer saber, você é doido. Dá o fora daqui!

E o homem, com uma calma de fazer inveja aos hippies de Woodstock, disse:

— Eu não sou doido, eu sou Jesus!

E Freud, que deixou uma ínfima lágrima cair dos olhos, alegrou-se:

—Tu és Jesus? Até que enfim… Vem cá e dá um abraço no teu pai, moleque!

 

Anúncios

Sobre rascunhopub

Um bar, digo, um LUGAR de amigos. Puxe a cadeira, puxe papo, puxe saco! Estamos aqui pra isso.
Esse post foi publicado em Autores, Contos, Flávio Neponucena. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s